Home / Coluna  / Coluna Dr.Rauen – Emagrecer é diferente de perder peso

É bastante comum os pacientes que chegam no consultório obesos, muito acima do peso, me perguntarem, sempre nas primeiras consultas, qual o melhor tipo de exercício físico para eles. A resposta parece simples, mas para se obter o resultado que cada um espera, ela é bem mais complexa. De forma bem superficial, emagrecer é perder gordura. Perder peso é simplesmente ver o número da balança diminuir, isso pode ser a custas da de perda de massa muscular. Portanto, o ideal é emagrecer. E isso não vale apenas para os obesos, vale para todos que querem ter vida longa e boa saúde física e mental.

De forma geral, o exercício aeróbico a curto prazo é tido como o mais eficaz para a perda de peso pois, pelo mesmo período de tempo tem maior gasto calórico. Contudo, o exercício resistido (musculação), a médio e longo prazo, aumenta a taxa metabólica basal por conta do aumento e preservação da massa magra.

Uma série de estudos mostra que, uma combinação de exercícios de alta intensidade e moderado, tem tido excelentes resultados, melhorando o condicionamento físico e maior perda de gordura corporal em relação ao modo convencional. Para dar um exemplo prático, correr rápido por um minuto e, em seguida, andar por um minuto, repetindo esses ciclos várias vezes. Ou fazer 5 minutos correndo na esteira e depois outros ciclos de musculação.

Ou seja, respeitando a individualidade de cada paciente, temos visto que os melhores resultados para a perda de peso são obtidos com a combinação de exercício físico aeróbico e resistido. 

Mas a avaliação individual por um profissional da área é de extrema importância para que os resultados sejam mais satisfatórios e se respeite a saúde geral, a condição física e necessidade de cada um. Cada paciente é diferente !

Vamos imaginar a seguinte situação. Uma mulher de 60 anos, leve, mas que nunca praticou e nem gosta de exercícios mas quer começar agora. Sente que precisa melhorar a sua condição física. Ela tem 1,60 cm, pesa 63 kg e tem um IMC de 24,6.

Do outro lado um aluno de 20 anos, que treina musculação cinco vezes por semana, treina “super pesado”, e já participou de campeonato de halterofilismo. Ele tem 1,80 m de altura e pesa 100 kg, logo tem um IMC de 30,86.

No primeiro exemplo, temos uma paciente com obesidade sarcopênica, apesar de pelo IMC, parecer dentro da normalidade. No entanto, tem um percentual de gordura de 41%, com massa magra muito abaixo do normal e pouca força muscular. E com a tendência de piorar com a idade. Já no segundo exemplo o paciente é musculoso e tem um percentual de gordura de 10%, contudo, está sendo avaliado como obeso pois tem um IMC maior que 30.

Quem está mais saudável? São erros comuns, por isso sempre reitero a importância de se utilizar uma série de métricas que auxiliam no diagnóstico da obesidade, como a bioimpedância, densitometria óssea e pregas ou dobras cutâneas. Isso só nos mostra que temos que tratar de forma individual cada paciente, levando em consideração a sua rotina de vida e seus hábitos, não considerando apenas dados de estudos populacionais que focam muitas vezes apenas no IMC.

Assim, conseguimos ser mais assertivos na prescrição do tratamento e avaliar se estamos conseguindo evoluir e de que forma nesse tratamento. O melhor exercício físico para a obesidade é totalmente dependente de uma avaliação individual e precisa.

patriciazzanotti@gmail.com

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