Viagens
Neuquén desponta como novo destino gastronômico da Patagônia argentina
Neuquén se consolida como destino gastronômico na Patagônia argentina, unindo identidade local, vinhos, produtos regionais e experiências integradas à natureza.
Igor Lopes
7 de fev. de 2026
Tradicionalmente associada a paisagens naturais e ao turismo de inverno, a Patagônia argentina amplia seu posicionamento turístico a partir da gastronomia. Nesse cenário, a província de Neuquén, localizada no norte da região, passa a se destacar como um polo gastronômico em ascensão. O movimento resulta da combinação entre território, cultura, produção local e um turismo que valoriza experiências conectadas à identidade regional.
A construção dessa reputação começa pela valorização da cultura Mapuche, presente na base da cozinha local. Ingredientes nativos, técnicas tradicionais de conservação, uso de ervas regionais, farinhas especiais e métodos de defumação moldam uma identidade gastronômica diretamente ligada ao território. Esse conceito foi estruturado por meio de um selo gastronômico regional, que reconhece práticas e saberes transmitidos entre gerações.
Outro elemento central é a truta de águas glaciais. A abundância de lagos de origem glacial transformou o peixe em símbolo da culinária neuquina, presente tanto em restaurantes de alta gastronomia quanto em propostas familiares, explorado em diferentes técnicas e preparos.
Produtos identitários e produção regional fortalecem o destino
O chivito, cabrito crioulo típico do norte da província, é um dos principais ícones gastronômicos de Neuquén. Criado em sistemas tradicionais de transumância, tornou-se o primeiro produto alimentício da Argentina certificado por legislação nacional como produto de origem, seguindo protocolos rigorosos de qualidade e preservação das práticas produtivas locais.
Em paralelo, cidades como San Martín de los Andes e Villa La Angostura consolidaram o chocolate artesanal como parte da identidade cultural. Pequenas fábricas familiares produzem chocolates com frutas vermelhas, mel, ervas locais e cacau selecionado, ampliando o repertório gastronômico da região.
A vitivinicultura também ganha espaço. Integrada à Patagônia vitivinícola, Neuquén concentra vinhedos em áreas de clima árido e grande amplitude térmica, com produção voltada a variedades como Pinot Noir, Malbec e Merlot. O avanço do enoturismo trouxe visitas guiadas e degustações, integrando vinho, paisagem e gastronomia.
Experiências, natureza e turismo não massificado
O fortalecimento da produção local acompanha o crescimento do turismo. Queijos artesanais, pães de fermentação natural, doces, geleias de frutas patagônicas, mel, cervejas artesanais e licores regionais circulam em feiras, mercados e restaurantes, aproximando visitantes de produtores e chefs.
Em Neuquén, a gastronomia se integra diretamente ao ambiente natural. Restaurantes e vinícolas oferecem jantares em cabanas, piqueniques, almoços com vista para os Andes e menus pensados para complementar trilhas, passeios ao ar livre e atividades na natureza.
Outro fator decisivo é a baixa massificação. Diferente de destinos mais consolidados da Patagônia, Neuquén preserva um turismo mais equilibrado, permitindo experiências gastronômicas intimistas, contato direto com profissionais locais e um ritmo mais tranquilo, alinhado à busca por viagens de experiência e qualidade de vida.
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