Decor
Texturas na decoração: como deixar a casa mais acolhedora
Arquitetos explicam como texturas transformam conforto e percepção dos espaços.
Patricia Zanotti

A percepção de um ambiente não depende apenas de cores e mobiliário. As texturas assumem papel central na forma como o espaço é sentido. Relevos, tramas e acabamentos influenciam diretamente o conforto e a leitura visual dos interiores. Segundo os arquitetos Mariana Meneghisso e Alexandre Pasquotto, há uma relação direta entre textura e bem-estar. “A textura é uma das dimensões sensoriais mais poderosas do espaço. Nosso cérebro não percebe o ambiente apenas visualmente, ele também ‘lê’ o mundo por meio do tato, mesmo quando não tocamos diretamente nas superfícies”.
Ambientes compostos apenas por superfícies lisas e uniformes tendem a transmitir sensação de frieza. Já espaços que combinam materiais e variações naturais criam uma percepção mais acolhedora. Esse movimento acompanha uma mudança recente nos projetos de interiores, que passam a valorizar materiais com presença sensorial. Tecidos como bouclé, linho lavado e veludos naturais ganham espaço em sofás, cabeceiras e painéis, criando profundidade e convidando ao contato.
Tapetes também assumem nova função, indo além da delimitação de áreas. Com diferentes alturas de fios e desenhos em relevo, tornam-se elementos de conforto visual e tátil. A escolha dos materiais passa a considerar não apenas estética, mas a experiência proporcionada no dia a dia.

Como combinar texturas e evitar excessos
A combinação de diferentes texturas é um recurso eficiente para criar ambientes com identidade, desde que exista coerência entre os materiais. Fibras naturais, pedras, madeiras e tecidos orgânicos compartilham características que permitem composições equilibradas. “Um ambiente pode ter várias texturas e ainda assim transmitir sensação de calma, desde que elas compartilhem de uma linguagem material”, afirma Alexandre Pasquotto.

O equilíbrio entre superfícies marcantes e suaves evita sobrecarga visual. Elementos como pedras rústicas podem ganhar leveza quando combinados com madeiras de grãos discretos, criando ritmo e organização no espaço.

Nos quartos, tecidos como linho, algodão e bouclé contribuem para uma atmosfera voltada ao descanso. Na sala, a textura cria camadas visuais sem a necessidade de excesso de objetos, com o uso de mantas, sofás em tecidos naturais e superfícies em madeira ou pedra. Já em cozinhas e áreas gourmet, inserções pontuais, como jogos americanos em fibras naturais, agregam conforto sem comprometer a funcionalidade.

Em áreas externas, materiais resistentes como fibras trançadas, cerâmicas artesanais e madeiras específicas mantêm a continuidade entre interior e exterior. Paredes com relevo também surgem como solução para criar destaque em pontos estratégicos.

A alternância entre superfícies lisas e texturizadas organiza o ambiente e cria pausas visuais. “Ambientes precisam de pausas visuais. Se todas as superfícies são texturizadas, o olhar não encontra descanso e o espaço perde hierarquia. Superfícies lisas funcionam como base, enquanto as texturas assumem os pontos de destaque”, destacam os arquitetos.

Entre os erros mais comuns estão a mistura de materiais sem conexão, a falta de um projeto de iluminação adequado e o uso excessivo de elementos marcantes, que compromete a leitura do espaço.




