Viagens
Turismo de luxo 2026: trens e cruzeiros lideram tendência
ILTM aponta trens e navios como foco do turismo de luxo em 2026.
Igor Lopes
28 de fev. de 2026

O turismo de luxo em 2026 reposiciona o deslocamento como parte central da experiência. O Relatório de Tendências do Turismo de Luxo na América Latina 2026, apresentado pela International Luxury Travel Market em parceria com a Panrotas, destaca a Nostalgia Travel como movimento dominante no setor.
A proposta retoma a era de ouro das viagens, com foco em herança cultural, legado familiar e experiências multigeracionais. Segundo dados da Virtuoso, 90% dos viajantes de alto padrão buscam imersão em história e cultura, enquanto 53% planejam viagens multigeracionais. O conceito de legacy moments ganha força como ativo estratégico no mercado de viagens premium.
De acordo com Simon Mayle, diretor da ILTM Latin America, a presença crescente de companhias marítimas e ferroviárias confirma o movimento. “A ILTM é um termômetro do turismo de luxo no mundo todo e temos observado a participação crescente de companhias de cruzeiros marítimos e fluviais. Viagens em trens também ganharam mais espaço com redes hoteleiras tradicionais realizando grandes investimentos nestes segmentos.”
Trens de luxo e o retorno dos grandes itinerários
O transporte ferroviário volta ao centro do turismo premium impulsionado por grupos globais. A Accor e a LVMH lideram o reposicionamento do Orient Express. A Belmond, integrante do grupo LVMH, mantém rotas como o Venice Simplon-Orient-Express, o Royal Scotsman e o Eastern & Oriental Express.
O portfólio inclui ainda o Britannic Explorer, o Andean Explorer e o Hiram Bingham no Peru, conectando destinos como Cusco, Lago Titicaca e Machu Picchu. A retomada da rota Paris-Istambul prevista para 2026 reforça o movimento global de heritage travel e slow travel.
Cruzeiros boutique e navios de menor porte
No segmento marítimo, cresce a demanda por cruzeiros boutique, navios menores e rotas culturalmente conectadas às comunidades locais. A Explora Journeys amplia sua presença com foco em bem-estar e design europeu. A The Ritz-Carlton Yacht Collection aposta em itinerários seletivos e serviço personalizado.
O Orient Express Corinthian, previsto para 2026 sob chancela da Accor em parceria com a LVMH, será o maior veleiro de luxo do mundo, com 54 suítes, incluindo uma presidencial de 1.200 m². Nos rios europeus, a Belmond opera o conceito de slow travel fluvial com Les Bateaux. A AmaWaterways anuncia sete novas embarcações entre 2025 e 2027, ampliando rotas na Europa, Ásia, África, Egito e Colômbia, além do AmaBrasil voltado ao público brasileiro.
O relatório aponta que mais de 50% dos viajantes brasileiros de luxo consideram cruzeiros fluviais. Trem e cruzeiros aparecem com a mesma porcentagem de preferência entre os meios de transporte vendidos nos últimos seis meses.
Para Simon, a transformação do setor acompanha mudanças culturais. “O turista de luxo tinha uma resistência a cruzeiros porque a oferta de produtos realmente exclusivos era muito pequena, mas esse cenário vem mudando e cada vez mais viajantes têm descoberto o conforto de viajar em navios e conhecer vários destinos com qualidade sem ficar pulando de hotel em hotel. O conforto de abrir as malas uma única vez é um grande diferencial, é como se o hotel se deslocasse entre os destinos.”
Ele complementa. “Quando nós falamos em sustentabilidade, estamos falando da preservação da natureza, dos conhecimentos tradicionais e, naturalmente, estamos falando de memória, de legado, de conhecer e preservar jeitos clássicos de viajar.”
E conclui. “O que as tendências apontam é claro, o futuro do turismo de luxo será cada vez mais orientado por significado, legado e tempo investido em jornadas que unem memória e inovação e transformam cada viagem em patrimônio vivo.”
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