Viagens

Turismo internacional muda com viajantes

Turismo prioriza destinos autênticos e experiências culturais.

Igor Lopes

11 de mar. de 2026

O turismo internacional passa por uma mudança no comportamento do viajante. Levantamento do Expedia Group, por meio do estudo Traveller Value Index 2025, indica que 88% das pessoas pretendem realizar ao menos uma viagem de lazer nos próximos 12 meses.

Ao mesmo tempo, 63% dos entrevistados afirmam preferir destinos menos conhecidos, evitando locais excessivamente populares. O dado revela uma transição do turismo orientado por pontos turísticos icônicos e registros nas redes sociais para experiências ligadas à cultura local e ao estilo de vida do destino.

Experiência cultural redefine o turismo de luxo

A empresária e viajante Carmita Ribeiro, criadora do perfil Mala Vermelha pelo Mundo e com passagens por mais de 65 países, observa essa mudança no perfil de quem viaja com frequência.

Segundo ela, o amadurecimento do viajante altera o que é considerado valioso durante uma viagem.

“A viagem que mais transforma raramente é a que aparece no feed. Quando o viajante amadurece, ele passa a valorizar o que vive de fato, não apenas o que pode mostrar.”

Na análise da especialista, o público passa a priorizar gastronomia local, contexto cultural e experiências vividas fora dos roteiros tradicionais.

Consumo de luxo migra para experiências

A transformação também aparece no consumo de alto padrão. Relatório Global Luxury Study 2025 da Bain & Company em parceria com a Altagamma aponta que consumidores de luxo estão migrando progressivamente do consumo de bens materiais para experiências, especialmente viagens e eventos exclusivos.

Para Carmita Ribeiro, a repetição de imagens de destinos nas redes sociais também contribuiu para a mudança de comportamento entre viajantes mais experientes.

“Existe uma diferença grande entre conhecer um lugar e reproduzir um roteiro que já circula na internet. Quem viaja com mais frequência começa a procurar silêncio, cultura e experiências que não dependem de registro digital.”

Nesse contexto, pequenas cidades, rotas culturais e destinos fora do circuito tradicional passam a ganhar espaço nas escolhas de viagem.

Para a especialista, a mudança redefine o próprio conceito de viajar bem.

“Viajar deixou de ser uma prova de status. Hoje o luxo está no tempo bem usado, na escolha consciente do destino e na possibilidade de viver o lugar com presença.”

Segundo Carmita, o viajante contemporâneo passa a buscar menos a acumulação de destinos e mais o aprofundamento cultural de cada jornada.

“O viajante começa a perceber que não precisa ver tudo; ele precisa viver bem aquilo que escolheu ver. A viagem começa a ser menos sobre mostrar e mais sobre viver.”

Instagram:
@mala_vermelha_pelo_mundo

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