No universo do design mobiliário, poucos nomes traduzem tão bem a fusão entre tradição artesanal e inovação contemporânea quanto Marcus Ferreira. Autodidata e visionário, ele construiu uma carreira de três décadas, revolucionando o setor com seu olhar único e uma abordagem que ele próprio define como alfaiataria para móveis.
Fundador das marcas Carbono e Decameron, Marcus leva para suas criações a influência de sua trajetória pessoal: viagens, natureza e desafios que moldaram sua visão estética e funcional. Do acaso que o levou da Biologia Marinha ao design, até a consolidação de suas marcas como referências no Brasil e no exterior, sua história reflete um compromisso genuíno com a qualidade, o conforto e a valorização da produção artesanal.
Nesta edição do BlackCard Talks, conversamos com Marcus Ferreira sobre sua trajetória, inspirações e o impacto do design no cotidiano das pessoas. Um bate-papo inspirador com um dos maiores nomes do design brasileiro.
Confira a entrevista completa!
BC: Quais são os limites entre "Saiba mais sobre" arte e funcionalidade no design de mobiliário? Como você define a linha que separa (ou um) um móvel funcional de uma peça de arte em suas criações?
MF: Acredito que isto seja muito particular de cada designer, eu não consigo desenhar um móvel, onde este equilíbrio não esteja adequado ao usuário.
Começo meus projetos sempre em planta, imaginado a circulação, as áreas de descanso e convívios entre as pessoas, feito este estudo, parto para o desenho e detalhamento estético e conceitual de cada peça, ao mesmo tempo, que desenho, considero o conforto que este projeto trará para cada pessoa, e como se dará a interação de todos que vão habitar aquele espaço.
Ao final, analiso bem cuidadosamente, se este novo produto atende a estes aspectos e somente então, começo os protótipos, que mais uma vez passam pela mesma analise, e se em algum momento, um destes pontos não atender às minhas exigências, volto e retomo o mesmo caminho.
Então arte, funcionalidade e conforto, pra mim é um caminho único.
BC: Com a crescente demanda por práticas sustentáveis, como você incorpora essa visão na escolha de materiais, produção e no ciclo de vida de suas peças?
MF: Em primeiro comprando produtos e matérias-primas de fornecedores idôneos, com origem comprovada.
Em segundo, procuro fazer móveis com qualidade que durem e um desenho que não seja datado, ao ponto da pessoa sentir necessidade de trocar este móvel ao longo dos anos, apenas por uma questão estética.
Minha busca neste aspecto é a atemporalidade.
BC: A Carbono e a Decameron têm propostas diferentes. Como você traduz a essência de cada uma em suas coleções, mantendo uma singularidade que não define o mercado?
MF: A Carbono nasceu dentro da Decameron, ao observar novos escritórios de arquitetura e clientes, que possuem necessidades de espaços menores e mais funcionais.
Muitas vezes eles me pediam para reduzir os móveis da Decameron, mas isto poderia comprometer a harmonia dos produtos, então decidi criar uma marca voltada para este tipo de cliente e empreendimento.
Na Decameron nossa preocupação é criar produtos que preencham os espaços, na maioria das vezes mais amplos, com harmonia e que vençam o tempo, enquanto na Carbono temos uma busca pela necessidade mais imediata e prática.
Ao longo destes anos, naturalmente, a Carbono encontrou um caminho onde ela busca uma transformação do espaço, uma ruptura do padrão estabelecido, propondo maneiras diferentes e mais livres de usar a casa.
Enquanto a Decameron busca tranquilidade e perpetuidade em seus projetos.
BC: Você exporta suas criações para mercados internacionais e valoriza a propriedade intelectual dos designers brasileiros. Como enxergar a contribuição do Brasil no design contemporâneo e quais são os maiores desafios de atuar globalmente?
MF: Temos uma liberdade criativa que inspira muito as pessoas fora do país, acredito que isto em parte vem de uma escassez que temos em sistemas produtivos, o que nos torna, associado a história de vida de cada um, especialmente criativos e livres de regras estéticas muito duramente estabelecidas.
A maior dificuldade que temos é exatamente o Brasil, não as pessoas que são maravilhosas, mas as dificuldades geográficas, econômicas e políticas, que não permitem que uma grande parcela dos profissionais atuem no mercado internacional.
Por estas dificuldades, somos basicamente um país voltado para nós mesmos, pensamos em produzir e vender no próprio Brasil, isto nos isola um pouco do mundo, e torna o aprendizado mais lento.
Com exceções, o design ainda é visto somente como algo belo, e não pensado estrategicamente para criar diferenciação entre as empresas e tornar seus produtos competitivos no mundo.
A maioria das iniciativas internacionais que existem dos órgãos governamentais, expõe somente o produto, às vezes de forma caricata e sem se preocupar se estes produtos serão competitivos e se a cadeira produtiva tem capacidade e competitividade no mundo.
O mundo ainda é um lugar muito longe pra gente.
BC: Qual o impacto do seu trabalho na vida das pessoas?
MF: Acordo diariamente para poder proporcionar com meus produtos, momentos de felicidade e relaxamento para as pessoas, quando estão com quem mais amam, se um dia eu perceber que não consigo trazer esta paz às pessoas, tudo não fará mais sentido para mim.
Procuro também incentivar e inspirar novos designers, mostro que todo início é duro, mas traz crescimento, procuro retribuir oportunidades que recebi ao longo destes anos e como é importante para um país ter a sua identidade.
BC: Qual hobby ou atividade pessoal desperta sua melhor versão para o trabalho?
MF: Viagens com certeza.
A vela e a aviação, velejo no mar destes meus 30 anos, e recentemente, tirei a minha habilitação de Piloto Privado de avião. Estas duas atividades trazem uma paz incrível, por me desconectar de tudo, permite limpar a minha mente e clarear minhas ideias, ao mesmo tempo que permitem avaliar se as minhas verdades fazem algum sentido no mundo e para as pessoas que convivo..
Adoro viajar de carro também, porque o tempo passa mais lentamente nestas viagens, e possibilita conhecer mais pessoas e lugares com mais tranquilidade.
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