O turismo de massa entrou no centro do debate global. Ilhas e cidades antes associadas a tranquilidade, patrimônio histórico e qualidade de vida agora enfrentam protestos de moradores, pressão sobre infraestrutura e riscos ambientais. O crescimento acelerado do número de visitantes tem provocado reações diretas de comunidades locais que buscam recuperar seus espaços e preservar sua identidade. De Santorini a Kyoto, o overtourism deixou de ser exceção e passou a ser um desafio estrutural para destinos altamente desejados.
Destinos sob pressão: quando o sucesso turístico vira problema
Santorini, na Grécia, recebe milhões de turistas todos os anos, apesar de ter cerca de 25 mil habitantes. O aumento de hotéis e aluguéis de curta duração gerou preocupações ambientais e impactou a vida cotidiana dos moradores, que veem suas casas e ruas cada vez mais tomadas por visitantes. Em Barcelona, o cenário é semelhante. A concentração de turistas em áreas como La Rambla e o Bairro Gótico levou a protestos contra a pressão sobre moradia, serviços públicos e espaços urbanos.
Bali, na Indonésia, enfrenta desafios ambientais mais severos. Mais da metade da água subterrânea da ilha é consumida pela indústria do turismo, enquanto o lixo plástico compromete praias e paisagens naturais. Veneza segue lutando para proteger seu patrimônio histórico diante do fluxo intenso de visitantes, especialmente de cruzeiros que permanecem poucas horas na cidade. Tenerife e Mallorca, na Espanha, também vivem tensões relacionadas à alta dos preços imobiliários e à descaracterização de vilas tradicionais.
Dubrovnik, na Croácia, adotou limites diários de visitantes e controle de cruzeiros para proteger seu centro histórico. Kyoto, no Japão, vê sua herança cultural ameaçada pelo comportamento inadequado de turistas em áreas residenciais e templos. Já Amsterdã tenta conter o impacto do turismo com restrições a aluguéis de curta duração e medidas para redistribuir visitantes fora do centro histórico.
Turismo responsável e soluções em curso
Em resposta ao overtourism, autoridades locais e comunidades vêm adotando soluções que passam por limites de visitantes, controle de hospedagens temporárias e incentivo ao turismo sustentável. Muitos destinos estimulam a visita em períodos fora da alta temporada, a exploração de bairros menos conhecidos e o apoio a negócios locais. A ideia é reduzir a concentração turística e preservar o equilíbrio entre economia, meio ambiente e qualidade de vida.
O debate sobre turismo responsável ganhou força nas tendências globais de viagem, com crescimento das buscas por termos como turismo sustentável, viagens conscientes e destinos alternativos. A preservação cultural e ambiental deixou de ser apenas um discurso e passou a influenciar políticas públicas e decisões de viagem. Para o viajante, a escolha por práticas mais conscientes ajuda a manter vivos os lugares que continuam despertando interesse global.




