Viagens

Carnaval: 5 destinos para fugir do agito

Curadoria reúne refúgios de luxo no Brasil e exterior.

Igor Lopes

13 de fev. de 2026

Enquanto o Carnaval 2026 projeta movimentar R$ 18,6 bilhões em fevereiro, com crescimento de 10% em relação ao ano anterior, segundo a FecomercioSP, uma parcela do público de alto padrão escolhe seguir na direção oposta. Em vez de bloquinhos e multidões, a busca é por silêncio, privacidade e bem-estar. A série histórica do IBGE, iniciada em 2011, pode registrar o melhor resultado para o mês caso a estimativa se confirme. Ainda assim, cresce o número de viajantes que transformam o feriado em pausa estratégica.

A curadoria é de Estela Assis, travel designer especializada em viagens personalizadas e fundadora da agência boutique Viaje com Estela. Para ela, o movimento reflete uma mudança comportamental clara no turismo de luxo.

“Existe uma fadiga social muito clara. O meu cliente muitas vezes já vive uma rotina de decisões intensas e, para ele, o Carnaval deixou de ser uma obrigação de festa para se tornar um refúgio necessário. Hoje, o verdadeiro luxo para esse perfil é a descompressão. Eles não buscam apenas um hotel bonito, mas uma logística que garanta o silêncio e a privacidade. É a troca da euforia coletiva pela satisfação pessoal de não ter horário para nada”, analisa.

Destinos para silêncio e privacidade

No Ceará, a Casa Daia, em Barra dos Remédios, ocupa 220 hectares entre dunas, manguezais e lagoas. Com apenas sete acomodações, o hotel aposta em turismo regenerativo e arquitetura integrada ao território. Bangalôs com decks e jacuzzis privativas reforçam a proposta de isolamento.

“A Casa Daia resolve uma dor latente do executivo moderno: a poluição visual e sonora. O projeto de iluminação é todo baixo, na altura dos pés, propositalmente para não ofuscar o céu estrelado. É um destino para quem entende que o luxo no Carnaval não é o excesso, mas a ausência de ruído, a luz natural e uma programação livre de obrigações”, explica Estela.

Na Patagônia argentina, Ushuaia surge como alternativa geográfica e sensorial. O Arakur Ushuaia Resort & Spa, localizado em reserva natural com vista para o Canal de Beagle, combina trilhas guiadas, observação de fauna e piscinas aquecidas ao ar livre.

“Viajar para Ushuaia no Carnaval é quase um manifesto pessoal. É um lugar que te devolve a sensação de liberdade absoluta. Lá, no extremo do mapa, você se sente paradoxalmente mais conectado com o que importa. É uma experiência de conforto e grandiosidade que não cabe em palavras. É um dos meus destinos favoritos no mundo, porque entrega um lado que ninguém enxerga quando viaja: a beleza de nos sentirmos pequenos diante de uma natureza soberana”, resume.

Em Portugal, a Quinta da Pacheca, no Douro, combina arquitetura sensorial, gastronomia e spa integrado ao silêncio dos vinhedos.

“Fiz uma visita técnica à propriedade e posso afirmar com segurança: a hospitalidade deles é diferente. As cores da decoração, a arquitetura e o próprio vinhedo trazem uma paz que a gente não consegue explicar em palavras, apenas sente. É, sem dúvida, um dos lugares onde me sinto mais à vontade no mundo. O luxo ali é essa capacidade de fazer você se sentir em casa, acolhida, mas com um serviço impecável”, destaca.

No Brasil, o Castelo Saint Andrews, em Gramado, opera com conceito Exclusive House, voltado apenas para adultos e com número reduzido de suítes. O serviço de mordomia organiza desde a chegada até jantares privativos.

“O Saint Andrews consegue blindar o hóspede do agito externo. É um refúgio técnico e emocional. O que me atrai lá é a consistência do serviço: você é cuidado nos mínimos detalhes, sem precisar pedir. Para casais que buscam privacidade total e alta gastronomia sem precisar pegar um voo internacional, é a escolha mais inteligente e sofisticada”, afirma.

Em Mendoza, aos pés dos Andes, fevereiro marca a pré-vindima. A região reúne vinícolas reconhecidas e hotéis-boutique com piscinas e spas voltados para a Cordilheira.

“Mendoza nunca cansa porque ela se reinventa. Fevereiro é, na minha opinião, um dos momentos mais sensoriais para ir, especialmente para quem aprecia os brancos e rosés. É a época de colher a uva do pé para provar a doçura da fruta, de relaxar na piscina olhando para a Cordilheira e aproveitar essa atmosfera de verão com elegância. É um destino perto, mas que entrega uma experiência de nível global”, ressalta.

O novo luxo no Carnaval

Para Estela Assis, o luxo contemporâneo está na liberdade de escolha e no respeito ao próprio ritmo.

“Viajar com inteligência não é sobre ir para onde todos estão indo, mas ter a coragem de escolher o que faz sentido para o seu momento de vida. Seja no isolamento do Ceará, na imensidão da Patagônia ou em um vinhedo na Europa, a decisão mais sofisticada que você pode tomar hoje é aquela que respeita o seu próprio ritmo. Fugir do agito deixou de ser apenas uma fuga; tornou-se um ato de autocuidado”, conclui.

Instagram: @viajecomestela

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