Em 2025, o Labubu saiu do território dos brinquedos infantis e entrou de vez no vocabulário da moda e da cultura pop: pendurado em bolsas, usado como chaveiro, visto em semanas de moda internacionais e replicado à exaustão nas redes. O fenômeno foi tão intenso que gerou um mercado paralelo de falsificações e chamou a atenção imediata de grandes casas de luxo, que passaram a acompanhar de perto o comportamento em torno do personagem. Com o tempo, porém, o assunto perdeu tração; o nome Labubu já não aparece com a mesma frequência nas conversas entre insiders, e o sistema rapidamente se reorganiza para definir qual será o próximo “boneco de poder” da vez.
Prada Teddy: pelúcia em chave de produto de luxo
Nesse contexto, a Prada se move com o Teddy, uma linha de ursinhos de pelúcia transformados em acessórios de alto padrão. Cada peça veste versões miniaturizadas de looks da própria maison, o que conecta diretamente o personagem ao repertório de passarela da marca. Os Teddies são produzidos em edição limitada, aparecem em campanhas e nas redes como sugestão de presente e objeto de colecionador e, no e-commerce, ultrapassam com facilidade a casa dos 5 mil reais, deixando claro que pertencem à lógica do luxo e não do souvenir. Mais do que acompanhar uma tendência, a Prada incorpora o ursinho à sua estratégia comercial como extensão portátil do seu universo visual, pendurada na alça da bolsa ou presa às chaves como marcador de pertencimento.
Fendi e o elenco completo de personagens
A Fendi escolhe outro caminho e aposta em escala e narrativa própria, desenvolvendo uma família inteira de personagens autorais. Em vez de um boneco genérico, a marca italiana apresenta figuras com nomes e personalidades definidos – Harry, Filippo, Tim, Jinny, entre outros – cada qual com estilo, expressão e acessórios específicos, como se fossem avatares de um universo ficcional ligado à casa. A proposta ganha ainda mais força no tamanho: alguns desses bonecos são tão grandes que disputam visualmente com as próprias bolsas, indicando que o maximalismo segue no radar das marcas para 2026. A leitura aqui vai além da substituição de um acessório viral; a Fendi explora a interseção entre moda, design de personagem e cultura de colecionismo, criando objetos que funcionam ao mesmo tempo como enfeite, totem afetivo e símbolo de status.
O pós-Labubu não é apenas sobre qual será o próximo boneco que vai viralizar, mas sobre quais maisons conseguirão transformar esses personagens em linguagem de marca consistente, com potencial para durar mais do que um ciclo de algoritmo. Ao trazer pelúcias e figuras autorais para o centro da conversa, Prada e Fendi mostram que, no luxo de 2026, o jogo passa também por quem domina a narrativa dos ícones pequenos – e altamente fotografáveis – que acompanham bolsas, looks e timelines.




